sexta-feira, 1 de junho de 2012
Machismo: naturalize-o ou queime-o
Oito de Março de 1857: Nova Iorque é a sede de uma das maiores manifestações de coragem e tomada de consciência das mulheres. A morte de 130 tecelãs, numa fábrica de tecidos, ocorrida quando o sexo feminino lutava por condições de trabalho melhores e mais equitativas não foi, porém, o primeiro ou o único ato de insatisfação e expressão femininas. Talvez tenha ele sido o início de um despertar da sociedade (ainda que pequeno) no que diz respeito aos direitos das mulheres.
O fato é que o machismo envolve e esmaga a sociedade há tanto tempo, que já se tornou naturalizado entre os indivíduos; ele pode ser encontrado nas mais variadas classes sociais, falas e atitudes; perebê-lo e mitigá-lo, entretanto, é tarefa árdua e exige tanto a tomada de consciência por cada indivíduo quanto pela sociedade como um todo.
Numa (infeliz) tentativa de legitimar a ideologia segundo a qual o homem domina socialmente a mulher, buscam-se argumentos na condição da humanidade enquanto espécie animal. Segundo tais defensores da superioridade masculina, o fato de, na maior parte das espécies animais, a fêmea ser a responsável por cuidar dos filhotes e do ambiente em que vive a família, indica que os seres humanos não poderiam escapar a essa regra. É natural, portanto, que a mulher cuide da casa, enquanto o homem trabalha para o sustento da família.
A partir desse pensamento, naturaliza-se não apenas a submissão feminina no que diz respeito ao trabalho, mas também e, por consequência, a subordinação ao sexo oposto nos mais diversos setores sociais.
É certo que não se pode ignorar a espécie humana como espécie animal, mas é inegável, também, que o "homo sapiens" possui atributos próprios capazes de produzir novos padrões de cultura, modificando tanto estes últimos quanto as condições naturais na qual surgiu. A sociedade é aterada por aqueles que a integram: linguagem, hábitos, educação, tecnologia e formas de trabalho são modificados constantemente. A própria inteligência e capacidade de adaptação, tão bem quistas pelos seres humanos, possibilitam que eles desprendam-se das garras do que é natural num primeiro momento e movam-se a fim de construir uma cultura capaz de equiparar homens e mulheres.
Deus é homem. Eva levou Adão ao pecado. Mulheres aumentam a venda de cerveja. Mas, cuidado: mulher bêbada é repugnante. Mulheres são frágeis. Devem, pois, ficar em casa. Mulheres dignas têm pudor. Homens são deuses, fortes, inteligentes e mais capazes.
Essas informações nos são entregues prontas e, por comodidade e/ou ausência de conhecimento crítico, a maioria de nós (incluindo-se aí o Estado) aceita, calada, a figura da mulher enquanto subordinada ao homem, enquanto inferior e objeto sexual deste.
A sociedade não é a mesma. Não devem, portanto, permanecer imutáveis também os direitos e as concepções sobre o papel da mulher na realidade em que vivemos.
Que, além dos sutiãs, sejam queimadas as ideias e atitudes que cruelmente oprimem o sexo feminino. Que se queime, pois, o machismo!
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Belo texto. Ainda há na sociedade, mesmo naqueles que se consideram liberais(eu, por exemplo), um machismo incrustado, que vem de nossos costumes e de nossos velhos padrões. Pequenas coisas que não percebemos no nosso dia-a-dia que são reflexos de comportamentos arcaicos e de idéias ultrapassadas. Por exemplo, um homem pode usar short e camiseta e passar despercebido, se uma mulher faz o mesmo, vai ficar com a "orelha quente". Coisas assim...
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